Pai Que Cria: para respeitar o outro, a criança tem que entender que ela não é o centro do mundo

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Por Rafael De Milon / Pai que Cria

Educar não é tarefa fácil, né, minha gente? Vivemos em tempos de supervalorização da infância tanto pela mídia, quanto pretensamente pela família e como pela sociedade. Na verdade, tenho percebido que a infância é desvalorizada naquilo que ela tem de real: a sua essência.

Um dos fatores que explica minha afirmação é a falta de intimidade e de convivência entre pais e filhos, por causa das questões da vida moderna. Quando estão juntos, os pais não conhecem suas crianças, e não sabem lidar com elas.

Estão estressados com os seus trabalhos, viciados nos seus telefones e não querem também se submeter à desaprovação social de uma criança que chora ou se comporta mal. Ainda mais nesse momento pandêmico que estamos passando, sem a escolha e sendo obrigados a ficar 24h em casa com as crianças, onde pela primeira vez aqueles que falavam que não tinham tempo ou queriam fazer mais pelos filhos, agora tem essa oportunidade e não aproveitam.

Acaba que essa criança não tem direito de se manifestar de forma negativa, o que faz parte do comportamento infantil, e muitas vezes, é reprimida pelos adultos. Ela não pode fazer uma birra, dizer “não”, chorar, explorar seus limites de atuação no mundo.

Os pais nem sempre sabem lidar com essas situações e a criança acaba tendo todos os seus desejos realizados. Não lhe são colocados limites, não lhe dizem que ela tem que lidar com a frustração. A gente quer calar a qualquer custo o mal-estar. Então para parar com o chilique, a gente acaba cedendo. Ao invés de aprender as regras de convivência, a criança passa a ser uma rainha que dita as normas, os programas, os horários.

Percebo ainda que nossas crianças são impedidas de lidar com o risco, com a aventura, com as relações interpessoais, com os problemas da escola, com a dor e com os machucados. Se a criança tem um problema com uma outra criança, os pais se interpõem para resolver a questão, no playground não deixam ela se arriscar a subir mais alto no trepa-trepa. É claro que ninguém quer que o filho quebre um dedo ou receba um ponto, mas são experiências da infância.

Eu já vi criança dormindo às duas da manhã, já vi criança de dois anos que comanda o que tem na geladeira e no armário da despensa. Outras que determinam o programa da família nos fins de semana, se elas não querem sair, ninguém sai. Pais que deixam a criança de 3 anos ficar horas na televisão, porque não sabem desligar o aparelho e deixar ela ficar frustrada. Criança que come só biscoito ao invés de comida, que ganha o presente depois de ter se jogado no chão do shopping. Isso tudo causa um prejuízo enorme, tanto na qualidade de vida dessa família, quanto na emocionalidade dessa criança. Ela precisa saber que a sua vida tem limites, que a sua influência tem limites, que o mundo não gira em função do seu umbigo.

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Foto ilustrativa – Divulgação

Muitos meninos e meninas dessa geração vão levar isso para a vida adulta e não só terão dificuldades de convívio como vão quebrar a cara nos seus ambientes de trabalho e em relacionamentos interpessoais. Porque nem sempre a vida vai acolher esse tipo de onipotência, que é resultado de uma educação cheia de falhas nesse sentido.

Pra saber respeitar o outro, a primeira coisa que a criança tem que entender é que ela não é o centro do mundo. Ela é um membro da família e ter relações igualitárias com os outros membros da família vai fazê-la entender que ela vive numa sociedade. Esse é o nosso papel como pais.

Aqui aprendo com meus erros e acertos, todos os dias, mas sigo buscando acertar. Ter convivência com os nossos filhos, oferecer a eles oportunidades de conversa, de refeições em família, de sair na rua juntos, brincar nos parques, subir no trepa-trepa, ralar o joelho no chão, subir numa árvore, levar um zero, aprender com a frustração: tudo isso, na minha opinião, é importante para formar uma criança mais feliz e um adulto mais íntegro, preparado para conviver com o outro.

E você? O que tem feito para se aproximar e participar mais da vida de seus filhos? Quais limites você coloca e quais liberdades você aplica para elas se desenvolverem?

Conta pra mim nos comentários, pois sua opinião ajuda no meu crescimento também.

PAI QUE CRIA!®

Por RAFAEL MILON
Pai e Publicitário
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👨‍👧‍👧Giovanna & Antonella
✒Paternidade consciente
✒Disciplina positiva
✒Criação com apegolinktr.ee/paiquecria

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