Sonho interrompido: estudante cuiabana pede apoio para voltar aos Estados Unidos

Mais de 20 mil estudantes brasileiros foram afetados pelo veto do presidente Donald Trump e se mobilizam para poder voltar aos EUA.

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Como medida preventiva à pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, os Estados Unidos suspendeu as atividades acadêmicas presenciais e bloqueou o acesso de estudantes estrangeiros de todo o mundo ao país. Mas, após sofrer pressão das universidades, o governo Trump decidiu revisar as medidas, permitindo o retorno de estudantes naturais dos países da União Europeia e outros continentes.

A liberação, entretanto, não se estendeu aos alunos brasileiros, chineses e iranianos, que continuaram barrados de entrar no país e darem continuidade aos seus estudos.

Entre os estudantes brasileiros afetados está a cuiabana Júlia de Paula Silva, de 16 anos, que cursa o 11th grade (Junior year), correspondente ao 2° ano do ensino médio no Brasil, na escola American Heritage School Boca/Delray, em Delray Beach, Flórida.

História

Estudando na América desde janeiro de 2019, Júlia retornou ao Brasil logo que suas aulas presenciais foram suspensas para visitar a família, em Cuiabá. Mas, conta que não contava com a proibição, considerando que estava com toda documentação em dia e com passagem de volta comprada.

 Estudante cuiabana Júlia de Paula Silva
Estudante cuiabana Júlia de Paula Silva

“Desde os 10 anos de idade eu tenho o sonho de ingressar em uma universidade americana. Tive a oportunidade de começar meu ensino médio (high school) lá, e agora estou vendo esse sonho ameaçado, pois apesar de ter toda a documentação correta e apresentar teste negativo para COVID19, o Governo Americano não aceita a entrada de estudantes vindo do Brasil”, lamenta Júlia.

A estudante, que pretende cursar faculdade de psicologia, explica que para conquistar uma vaga nas concorridas universidades norte-americanas é preciso muito mais do que obter boas notas no vestibular.

“O vestibular nos EUA é feito entrando no júnior, 2 anos de concluir a escola. No meu caso, seriam feitos agora. Além dos testes, é preciso desenvolver uma série de atividades secundárias, que contam muito no currículo, como 120 horas de serviço comunitário, envolvimento com a comunidade escolar, prática de esportes e artes, entre outros”.

Segundo Júlia, as aulas na American Heritage School Boca/Delray vão se iniciar no próximo dia 31 de agosto e a ansiedade e o temor de perder oportunidades só aumentam a cada dia.

We the Foreigners

Mas, não é só a cuiabana que está correndo o risco de ter meu sonho interrompido pelo veto. Mais de 20 mil estudantes brasileiros passam pela mesma situação. Por isso, Júlia se juntou ao grupo de estudantes que está se mobilizando para conseguir retornar aos Estados Unidos, denominado We the Foreigners (Nós, os Estrangeiros, em referência ao preâmbulo da Constituição americana, Nós, o Povo…).

O grupo tem um perfil no Instagram com mais de 5 mil seguidores e criou uma petição online que já está alcançando 90 mil assinaturas. O texto pede que o governo americano isente os portadores do visto F-1 para os EUA da restrição de viagem em vigor, imposta por causa da pandemia. Depois do EUA, o Brasil é o segundo país no mundo com mais casos confirmados da Covid-19.

“Esse grupo tem mais de 200 estudantes na mesma situação que a minha, que estão no Brasil tentando voltar para escolas e faculdades americanas. Ninguém sabe nos responder uma data específica ou ao menos dar uma previsão. Estamos perdidos”, explica.

Resposta do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, afirmou em nota “estar acompanhando atentamente a situação dos estudantes brasileiros barrados de voltar aos Estados Unidos para completar os estudos”, e ainda, “ estar em permanente contato com as autoridades norte-americanas, em busca de soluções para esses e outros casos decorrentes de restrições migratórias e sanitárias impostas durante a pandemia do COVID-19”.

“Já mandei dezenas de e-mails para o Itamaraty, para diversos órgãos e até para a Casa Branca na tentativa de obter uma solução ou pelo menos uma esperança. Mas, não obtiva nenhuma resposta até agora”, conta Júlia.

Para ajudar Júlia e milhares de estudantes compartilhe esta notícia e clique aqui para assinar a petição.

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