Notícias

Saiba o que é inteligência socioemocional e como ela vai ajudar seu filho a ser bem-sucedido

Habilidades socioemocionais – Divulgação
Por Thalyta Amaral
Em uma sociedade cheia de informações, grande parte delas disponível na palma da mão, através de um celular, é necessário ter habilidades e inteligência socioemocionais para ter boas RELAÇÕES afetivas, corporativas e até econômicas. Esse tipo de habilidade não nasce com a maioria das pessoas, é preciso treino – e muito – mas é possível aprender e quanto mais cedo esse aprendizado começa, melhor. Convidamos dois especialistas em educação para dar algumas dicas sobre inteligência socioemocional, que faz parte dos melhores sistemas de ensino do mundo.

Inteligência e habilidades socioemocionais

Esse tema é pouco conhecido no Brasil, mas já faz parte do sistema de educação de países como a Finlândia. As chamadas habilidades não cognitivas ou soft skills, são formas de lidar e gerenciar as emoções para conquistar a estabilidade emocional, pessoal e profissional. “Antigamente não se falava nisso, mas era um mundo bem mais simples, onde as relações não eram tão intensas. Hoje, as pessoas precisam conviver com indivíduos diferentes, ser criativas, diferentes e proativas, que são habilidades e competências que a criança e o jovem precisam desenvolver”, explica o professor Antônio Humberto César Filho, que tem mais de 30 anos de experiência em ensino e é coordenador do Colégio Master.
Professor Antônio Humberto
Professor Antônio Humberto
Falando de forma técnica, nem sempre é possível compreender o que significa ter esse tipo de habilidade, mas, em resumo, significa saber lidar com as emoções boas e ruins. “É preciso trabalhar com as frustrações, ciúme, arrependimento e outros sentimentos. Porque a partir do momento em que a criança entende o que sente, consegue aprender a colaborar, a ser proativo, ter pensamento crítico, para na adolescência ser o protagonista da sua história”, resume a professora Maria Heliete Polano, que tem 30 anos de experiência, é especialista em ensino e aprendizagem e é coordenadora do programa Laboratório de Inteligência de Vida (LIV) do Colégio Master.
Professora Maria Heliete
Professora Maria Heliete

Cada fase tem um grau de aprendizagem

Mas para que a criança desenvolva essas habilidades, que envolvem ter empatia, ser criativa, ter ética, saber resolver conflitos, ser persistente e lidar com frustrações, é preciso ensinar aos poucos, com linguagem e temas que os pequenos entendam, para que possam assimiliar e praticar o que aprenderam.
“No nosso programa trabalhamos com dedoche para as crianças menores, depois passamos para fantoches, jogos, seriados e para os adolescentes utilizamos vídeos com youtubers como a Jout Jout, que falam em uma linguagem que os alunos entendam. É importante adequar a mensagem para não afastar a criança, em vez de aproximar”, explica Maria Heliete.
Inteligência Socioemocional - Divulgação
Inteligência Socioemocional – Divulgação
O primeiro passo, segundo o professor Antônio Humberto, é ajudar a identificar as emoções que se está sentindo, para depois começar a falar sobre elas. “Nós que somos adultos, quando precisamos falar das nossas emoções nos sentimos desconfortáveis, mas se você trabalha essa questão na fase inicial da infância, as crianças aprender a falar e a lidar com as emoções, a se conhecer e a se autorregular, para que não precise de alguém para dizer que algo está errado, mas que consiga perceber que a ação não está certa”.

Adolescentes podem sim se comunicar

E se o trabalho para o desenvolvimento de habilidades e competências socioemocionais começa com as crianças ainda pequenas, é possível sim ter uma adolescência tranquila e sem crises, pois o jovem sabe como lidar com as suas emoções e com o outro. “Quando se aprende a falar sobre sentimentos, os adolescentes percebem que não são os únicos a enfrentar problemas, a trabalhar o preconceito, o bullying, a desenvolver o pensamento crítico e a ser o protagonista das suas histórias”, pontua a professora.

Nesse período que costuma ser conturbado, um fantasma ronda a vida dos adolescentes: o vestibular. Antônio Humberto explica que com uma escolha tão importante à frente, muitas vezes com pressão das famílias e a própria cobrança, não é raro ver jovens deprimidos ou infelizes. “Se a criança consegue desenvolver as habilidades socioemocionais, pode ser o protagonista na hora de fazer as escolhas na fase de grandes decisões. Porque a adolescência é uma fase não só de decisão profissional, mas de escolhas pessoais, e quem tem essas habilidades não vai ser preconceituoso, porque vai saber respeitar o outro”.

Habilidades socioemocionais - Divulgação
Habilidades socioemocionais – Divulgação

Habilidades socioemocionais = profissionais melhores

E quem pensa que desenvolver as habilidades socioemocionais nas crianças e adolescentes tem apenas benefícios imediatos, está enganado. Quem possui esse tipo de competência é um profissional mais preparado para lidar com os problemas e adversidades no mundo do trabalho, além de saber lidar melhor com as frustrações.

“Um estudo do Fórum econômico Mundial mostra que 65% das crianças que entraram na escola nesse ano vão trabalhar em profissões que ainda não existe. Por isso, não dá para criar as crianças para uma determinada profissão, mas dá para ensinar habilidades que serão úteis para toda a vida. Porque já hoje as empresas têm problemas não para contratar alguém capacitado, mas para contratar profissionais que saibam trabalhar em grupo, sejam proativos, criativos e éticos e é isso que precisamos ensinar”, enfatiza Antônio Humberto.

Inteligência Socioemocional é importante em todas as idades
Inteligência Socioemocional é importante em todas as idades