Cuiabana de coração assume cachos e cria página para inspirar mulheres

leilane

Nascida em Rondonópolis, mas vivendo em Cuiabá desde os três anos, a publicitária Leilaine Rezende lutou durante bastante tempo com seu cabelo, que na infância era algo que causava vergonha e desconforto. Muitos anos de tintura e machucados depois, ela decidiu radicalizar: tirou toda a química do cabelo e assumiu os cachos. O resultado ela compartilha nas páginas Ninho de Cacho (@ninhodecacho) nas redes sociais Facebook e Instagram. Com isso, ela vem ajudando meninas e mulheres a gostarem do próprio cabelo.

“Eu via coleguinhas da escola sendo elogiadas pelo balanço nos cabelos soltos no pátio nos dias de educação física. Eu também os queria. Foi quando uma cabeleireira, amiga da família, sugeriu a minha mãe que eu fizesse um relaxamento leve”, lembra Leilaine. Essa jornada começou com um relaxamento leve, que depois passou para um relaxamento com guanidina, escova marroquina e relaxamento com amônia, até que ela decidiu cortar tudo o que não era seu e deixar os cachos crescerem de volta.

Leilaine Rezende
Leilaine Rezende

O processo foi difícil. Sofreu críticas de amigos e da família. “Assustei a todos a minha volta. Me chamavam de louca, inconsequente, sapatão. Achavam que tinha perdido a vaidade. Sofri muito. Chorava quando ia sair e não sabia que roupa me deixaria mais feminina. Das diversas situações que vivi, a mais recorrente foi: ‘nossa, porque você fez isso com você? Era tão lindo antes, menos rebelde’. Ou ainda: ‘Nossa, tá volumoso né?’. Mas o cabelo foi crescendo e agora era eu refletida no espelho”, conta a publicitária.

Período de transição

Ela começou o processo em 2013 e em 2016 surgiu a ideia de um perfil no Instagram, quando estava no último ano de faculdade. No início meio tímida, Leilaine repostava inspirações de meninas que tinham vencido a transição capilar e aos poucos começou a dar dicas, falar de sua história, sobre feminismo, beleza real e outros temas que a apaixonam. E cuidar do cabelo, sua terapia, atingiu novos públicos e ajuda outras mulheres a enfrentarem os preconceitos e dificuldades para assumir o cabelo natural.

Leilaine com cabelo alisado
Leilaine com cabelo alisado

Com cabelo 3ab (aquele cabelo de anjinho, com molinhas), ela afirma que sofre menos preconceito do que as mulheres com cabelos crespos, mas que é uma honra dar voz às mulheres que estão fora do padrão liso. “Poder falar desse assunto e dar voz às mulheres que não se sentem bem com os cabelos que nasceram e são negligenciadas por estarem ainda mais fora dos padrões estéticos é o que me move”.

Para as mulheres e homens que desejam se libertar da química, ela aconselha a continuar nessa jornada. “Por mais que ficar 1 ano (ou mais, ou menos, depende do ritmo de crescimento capilar de cada um) sem alisar possa parecer impossível ou tempo demais, vai valer a pena. É mais saúde, mas conexão com seu eu interior, ancestralidade e identidade. Uma vez encarada a transição capilar e quebra do padrão ‘cabelo liso’, elas costumam não aceitar outros padrões também: de roupas, relacionamentos, ambientes. É um caminho sem volta. Mas uma ressalva: tudo bem se a mana se sente bem em alisar o cabelo. Ser feminista e incentivar a beleza natural é também ser livre”.

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