Cuiabá 300 anos: 10 personalidades que fazem parte da história da Capital

dona eulalia

Cuiabá já foi apenas dos indígenas, depois foi dos bandeirantes, do garimpo, da navegação, da cana de açúcar, do comércio e hoje predomina a prestação de serviços. Município que já passou por muitas mudanças na economia e teve crescimento populacional recente (em 1960 eram cerca de 58 mil habitantes e agora quase 600 mil), tem em sua história personagens importantes que fizeram e fazem a cidade verde muito mais pulsante.

Para celebrar essa contagem regressiva e também celebrar esses personagens, preparamos uma lista com 10 personagens que fazem parte da história e do folclore da Cidade Verde.

1 – Mãe Bonifácia

Uma escrava que vivia na região de Cuiabá, no século 19, e que ajudou muitos escravos a encontrarem refúgio no quilombo (onde hoje fica o bairro Quilombo). Mãe Bonifácia fez história no final de sua vida, quando foi deixada de lado pelos senhores por estar velha. Ela aproveitava os seus conhecimentos sobre a mata e plantas medicinais para os escravos que fugiam das fazendas a encontrar abrigo. Segundo historiadores a personagem é real e viveu onde hoje fica a avenida Lavapés, próximo ao 44º Batalhão do Exército.

Mãe Bonifácia
Mãe Bonifácia

2 – Eurico Gaspar Dutra (1883-1974)

O único presidente brasileiro com origem cuiabana não poderia ficar de fora dessa lista. Com governo bastante controverso (ele lutava pelo fim do comunismo), foi o 16º presidente brasileiro, governador de 1946 a 1951. Entre as histórias de bastidores retratadas em livros, Dutra destinou recursos para a construção de um estádio nos moldes do Maracanã em Cuiabá, mas em menores proporções. Porém, não seguiram a sua ideia e foi construído o Dutrinha, bem mais simples e totalmente diferente do Maracanã. Com raiva, ele teria encurtado a viagem a Mato Grosso, por ter ficado desgostoso com a desobediência.

Eurico Gaspar Dutra

3 – Dom Aquino (1885-1956)

Francisco de Aquino Corrêa foi arcebispo e governador de Mato Grosso. Poeta (escrevia em 4 línguas), orador, escritor e primeiro mato-grossense a pertencer à Academia Brasileira de Letras. Ele dá nome ao bairro, centro de reabilitação, ginásio, escola e foi um de seus poemas que deu o apelido mais famoso a Cuiabá: Cidade Verde. Figura de destaque em sua época, é considerado o maior orador de Mato Grosso de todos os tempos.

Dom Aquino Corrêa
Dom Aquino Corrêa

4 – Maria Taquara

Quem viveu na Cuiabá das décadas de 50 e 60 conheceu uma figura bastante popular na região da Prainha. Lavadeira, solteira e fã de uma pinguinha, Maria Taqueara lavava roupas de militares, trabalhadores e famílias. Em uma noite de farras, teria amanhecido bêbada na rua, com o vestido ao vento e moradores de casa próximas teriam vestido uma calça para esconder as “vergonhas” dela. Estava aí sua marca registrada, que ela gostou e adotou, e está esculpida na escultura na praça que leva o nome dessa personalidade.

Maria Taquara
Maria Taquara

 5 – Zé Bolo Flô

Pouco se sabe sobre a data de nascimento de Zé Bolo Flô, apelido de José Inácio da Silva, filho adotivo de uma família pobre de Cuiabá. Recebeu essa alcunha por vender bolos e flores para ajudar a família e tempos depois passou a viver nas ruas, sempre com um saco onde guardava as poesias que escrevia. Gostava de missas e festas de santo, era semi-analfabeto, mas escrevia poesias e contos que levava por onde ia. Na década de 70 foi internado no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho onde morreu entre 1972 e 1974 (não se tem registro certo) como indigente, sendo enterrado em uma vala numérica no cemitério Bom Jesus.

Zé Bolo Flô
Zé Bolo Flô

6 – Liu Arruda (1957-1999)

Elonil de Arruda foi um comediante, jornalista, professor, ator, cantor e diretor. Ele tinha orgulho de ser cuiabano e trazia essa cuiabania em seus personagens como a Comadre Nhara, Juca, Sinhá Dedê, Ramona e Gladstone. Inovador e revolucionário, mostrou a cultura cuiabana de uma forma divertida, irreverente e à frente do seu tempo. Morreu cedo, aos 42 anos, e continua como referência para a arte tipicamente mato-grossense.

Liu Arruda
Liu Arruda

7 – Dunga Rodrigues (1908-2002)

Maria Benedita Deschamps Rodrigues, nome que foi abreviado para Dunga Rodrigues, foi professora, historiadora, escritora e, onde mais se destacou, musicista. Foi mulher pioneira na Academia Mato-grossense de Letras, formou muitos músicos e escreveu livros sobre a cultura e história do estado. Deu nome à escolas e a um conservatório. Ela foi considerada polêmica por nunca ter se casado e por beber cerveja em público (algo que não era permitido para as mulheres da época).

Dunga Rodrigues
Dunga Rodrigues

8 – Rubens de Mendonça (1915-1983)

Personalidade que deu nome a uma das principais avenidas de Cuiabá, Rubens de Mendonça se intitulava como literato, historiador e jornalista. Membro da Academia Mato-grossense de Letras, recebeu o título de Secretário Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso por sua atuação, além de ter atuado como juiz efetivo do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT). Em sua autobiografia, afirma sempre ter sido um mau aluno, e foi amigo de grandes nomes de Cuiabá como Dom Aquino Corrêa.

Rubens de Mendonça
Rubens de Mendonça

9 – Manoel de Barros (1916-2014)

“Poesia é voar fora da asa”, já dizia Manoel Wenceslau Leite de Barros, mais conhecido como Manoel de Barros. Poeta modernista da terceira geração publicou mais de 20 livros, ganhou prêmios importantes como o Jabuti e é considerado um dos principais poetas contemporâneos brasileiros. Foi espontâneo, um pouco primitivo e extraía seus versos da realidade que o cercava, principalmente da natureza.

Manoel de Barros
Manoel de Barros

10 – Dona Eulália (1934-)

Ela acorda às 3 horas da manhã para socar o arroz para a massa do famoso bolo de arroz, que já até ganhou prêmio. Eulália da Silva Soares, de 84 anos, há mais de 60 anos fabrica os quitutes, que são o sustento da família que tem oito filhos, 21 netos e 24 bisnetos, que hoje se junta no trabalho diário (e quem chegar muito tarde para comprar não acha mais). Sempre sorridente e de bom humor, mesmo com as dificuldades trazidas pela idade ela não deixa de participar do processo de fabricação do bolo de arroz e da chipa de queijo, suas marcas registradas.

Dona Eulália
Dona Eulália
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