Corinthians: Um dia no ninho dos gaviões de Cuiabá

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Por Caroline Rodrigues

O aviso na parede é claro: pessoas vestidas de roupas ou acessórios verdes não entram. E nem adianta tentar driblar a regra, porque os vendedores do ingresso e rapazes da portaria não permitem que esta falta seja cometida.  E olha que os corintianos que se reúnem no bar do João, no Araés, já foram muito mais radicais. Atualmente, o tradicional preto e branco pode ser substituído por azul, roxo e outras cores que foram acrescentadas ao guarda-roupa dos torcedores dentro de um processo de modernização do time.

Além da quebra de paradigmas como relação às cores, assistir o clássico Palmeiras e Corinthians no ninho dos gaviões em Cuiabá trouxe-me outras surpresas que transpõem o senso comum. Primeiro, o espaço é deles e principalmente delas, que estão nas melhores cadeiras e nos melhores espaços.

Se não bastasse, os filhos e filhas também acompanham os pais. Tudo bem que não é um lugar adequado para bebês, porque a bateria não para de ecoar e o bumbo é castigado e também castiga as mãos do torcedor, que tentava usar o gelo para limpar o sangue e ameniza a dor.

torcedor
torcedor

Depois de alguns minutos de descanso, o músico precisou correr para o posto novamente, pois a torcida pedia e já começava a ameaçar chamar a mãe do rapaz de profissional do sexo. O termo FDP continua como muleta linguística para todos os momentos.  Os torcedores usam para se referir ao adversário, ao jogador do time, técnicos, torcida adversária e juiz. Acho que pelo excesso de uso fez com que deixasse de ser xingamento.

E é na bateria que temos mais uma surpresa, nada de usar a opção sexual de ninguém para ofender e nem de usar palavras chulas neste sentido. Uma torcedora me informou que existe uma carta do time que foi distribuída para todas as torcidas com objetivo de reduzir a homofobia nos ambientes futebolísticos e nela, um dos itens é a extinção das expressões.

bateria

bateria

Com muita cantoria e pulos sequencias, o jogo continua. Tudo bem que a infraestrutura do bar não pode ser chamada de padrão Fifa, mas todos se entendem e convivem harmonicamente dentro de um espaço pequeno para tantos apaixonados.

Quando o lance perigoso arranha o adversário,  a torcida grita, se anima e pega o celular para mandar provocações e brincadeiras debochadas aos amigos palmeirenses. Mas, por que não? Afinal de contas, estão em um mundo globalizado e o zap zap faz parte da brincadeira.

Porém, quando o lance perigoso é contra o timão, tudo é deixado de lado e São Jorge que invista em um CPD potente para se manter atuando. Forma-se até fila na frente de uma pequena e improvisada capela que fica no canto do terreno.  E são cenas dramáticas de quem se ajoelha, chora e pede.

torcedores
torcedores

Engraçado, mas acho que todo corintiano tem um colar com o pingente de crucifixo ou com São Jorge. É impossível não reparar que nos momentos de estresse, 80% do bar levantava a corrente na mão em direção ao céu.  Beijava e sacudia.

Para ser sincera, eu não gosto muito de jogo de futebol, não gritei timão, mas posso dizer que tive uma tarde muito divertida.

Aos amantes de futebol que não tiveram tempo para acompanhar o jogo, o resultado foi nos pênaltis. Coitado de São Jorge, ele teve que agir na hora certa porque seus fiéis estavam prestes a terem um ataque cardíaco. Ainda bem que a intervenção chegou.

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