Empoderamento feminino: professora de Kung Fu em Cuiabá é única discípula ocidental em linhagem chinesa

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Quando começou a treinar kung fu em 2007, Giovanna Lopes Bezerra mal sabia o que representava a arte marcial que via nos filmes e sequer imaginou um dia ser a única discípula mulher ocidental do grão mestre Frank Yee. O título, recebido este ano, é um reconhecimento dado a poucas mulheres no mundo e representa um grande avanço nas conquistas femininas num universo predominantemente masculino.

“Neste ano tive uma surpresa quando fui aceita como discípula direta do Grão-Mestre Frank Yee, que significou me tornar quarta geração do herói chinês Wong Fei Hung, o fundador do nosso estilo, o Hung Ga. Existem poucas mulheres de quarta geração no mundo. Até então, eu treinava com o sifu (que significa pai em mandarim), Washington Bezerra. Hoje, após um bom tempo de dedicação, Sifu Yee reconheceu o trabalho que temos feito para divulgar e fortalecer o Hung Ga e por isso ele quis que eu fosse sua aluna direta”, relata Giovanna, que tem graduação Jo Gow na Yee’s Hung Ga International, correspondente à faixa preta.

Para ela, o título tem um significado muito especial de pioneirismo e representatividade. “Com isso, sigo abrindo o caminho de liderança nas artes marciais para outras mulheres, mostrando que é possível alcançar um grau e uma posição de destaque em um mundo formado quase que exclusivamente por homens durante muitos anos. Acredito ser este o momento de começarmos a mudar isso para que tenhamos mais igualdade. Ainda falta muito, mas já é um começo”, avalia.

Conseguir chegar a um grau mais avançado nas artes marciais, relata Giovanna, é percorrer um caminho cheio de dificuldades. “Ter chegado até aqui significa ter superado muita coisa, pelo simples fato de ter nascido mulher. Somos cobradas desde cedo a ter responsabilidades, como cuidar do irmão mais novo, lavar uma louça em casa, passar uma vassoura no chão. Histórica e culturalmente isso não é imposto aos meninos. E crescemos com uma carga pesadíssima para cumprir várias funções, ser multitarefa”.

Arquivo pessoal
Professora Giovanna Lopes Bezerra

A pouca participação das mulheres na luta também se dá pelo acúmulo de funções como faculdade, trabalho, filhos e marido. “Isso faz com que a arte marcial venha em último plano, mesmo sendo, na maioria dos casos, uma parte importante da vida da mulher, tanto pessoal quanto na escolha de seu protagonismo social. Precisamos começar dividir essa carga social imposta para que as mulheres consigam se dedicar e crescer dentro das artes marciais e onde mais desejarem. Sou muito grata por ter tido a oportunidade de incorporar essa arte na minha vida e feliz por poder me dedicar a ela também como profissão”, diz a professora.


Mulheres também na Dança do Leão

Formada em nutrição, Giovanna dá aulas há 10 anos e é também professora de Tai Chi Chuan e Dança do Leão Tradicional na Associação Bai Hu. A prática  da Dança do Leão hoje também simboliza a luta de duas mulheres, Mok Gwai Lan e Tang Sou Lin, para que hoje em dia qualquer mulher pudesse praticá-la. “Hoje já existem alguns grupos formados só por mulheres, como o Gund Kwok, nos Estados Unidos, justamente com o intuito de promover o empoderamento feminino”, revela.

Kung Fu
Professora Giovanna Lopes Bezerra

No Brasil existem algumas praticantes, mas não ainda um grupo exclusivamente feminino. “Aqui na Bai Hu temos nos empenhado para aumentar essa participação. Este é um trabalho que está apenas começando, mas temos boas expectativas para formarmos, também, um grupo composto apenas de mulheres”, conta ela.


Mais mulheres na luta

O crescimento da participação e das mulheres é visível atualmente em todas as áreas, mas ainda muito tímida. Na Bai Hu, por exemplo, apenas 15% dos alunos são mulheres, o que condiz com o cenário global de baixa participação de mulheres nas artes marciais.

Giovanna conta que não existe diferenças de treinamento por gênero ou idade. Todos são cobrados da mesma forma. “Cada um é incentivado a conhecer e dominar seu corpo, além de aprender a se defender em situações reais de perigo. A diferença de força, equilíbrio, postura e autoconfiança em relação às situações da vida são notáveis depois de algum tempo treinando. O universo do kung fu impõe muito respeito entre seus praticantes, independentemente do gênero. Nos consideramos uma família”, completa.


Empoderamento feminino

Fortalecimento das economias e melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças são os principais pontos elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU) como resultado do empoderamento das mulheres e promoção da equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia.

Kung Fu
Professora Giovanna Lopes Bezerra e professor Washington Bezerra

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