Do sofá aos 42 km – A trajetória de uma maratonista

CÉLIA ALVES

Por Célia Alves do instablog @tenisesainha

Se você fica sem fôlego e pensa que correr 42 quilômetros é algo feito somente por atletas profissionais e por loucos, calma… eu também já pensei assim. Para ser mais exata, pensei assim até o dia 9 de abril de 2017, dia em que eu me tornei MARATONISTA. Sim, MARATONISTA, com letra maiúscula, porque concluir uma maratona não é nada fácil, mas totalmente possível.

Minha trajetória começou há uns seis anos, onde incentivada (leia-se: arrastada) pela minha cunhada, participei da primeira prova de 10 km da minha vida. Sensação de morte, falta de ar e tontura foram alguns dos sintomas que me acompanharam durante todo o percurso. Enquanto sofria/corria ficava imaginando “Onde está a beleza da linha de chegada?”, e a única coisa que eu desejava era terminar aquela tortura e nunca mais calçar um tênis.

Passada a primeira impressão e o trauma pós-prova, comecei a correr com mais frequência, em dias alternados, para ver se me acostumava. No começo eram pequenos trotes, intercalados com a respiração ofegante, que aos poucos foram se transformando em corridas contínuas. Fui estabelecendo pequenas metas: dar a volta completa no quarteirão, duas voltas, correr 10 km em 1 hora, até que me desafiei a participar da Meia Maratona do Rio. “- Mas Célia, você vai sair de Cuiabá e ainda pagar para correr 21 quilômetros, da Barra da Tijuca ao aterro do Flamengo?”, e eu: “-Sim, senhora mãe!”. Como explicar para uma família de sedentários que a “louca” aqui tinha se transformado em uma apaixonada por corridas? Faltavam palavras, mas sobrava brilho nos olhos. E assim, lá fui eu para o meu desafio.


De lá para cá foram mais de 13 meias maratonas, inúmeras provas de 10 km e 5 km, e em 2016 eu decidi dar um passo ainda maior: um passo de 42 quilômetros. E para que fosse inesquecível essa estreia, escolhi uma das provas mais lindas do mundo, a Maratona de Paris. Tinha que ser especial, e foi!

Foram 3 meses de treinos intensos, acordando às 5h da manhã, seguindo um plano alimentar restrito, fazendo os famosos “longões” nos fins de semana, mas cada sacrifício e esforço valeu a pena. Foi ali, naquele momento, que eu enxerguei a verdadeira beleza da linha de chegada. Choro, dores e cansaço se misturavam à sensação de vitória. Vitória que não significava ser a primeira, e sim vencer os medos, os limites e os pré-conceitos que me acompanharam ao longo da vida.

Foram 4 horas e 24 minutos que fecharam um ciclo da minha história como corredora amadora e abriram espaço para o título de MARATONISTA, com muito orgulho! Existe uma frase que traduz com maestria todo o meu depoimento: “Quer correr, corra uma milha. Quer mudar a sua vida, corra uma Maratona.”

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