Um guru na minha vida – Por Mariana Vianna

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Nunca acreditei em coincidências, mas ainda assim me surpreendo com as coisas que a vida me traz. Há pouco mais de oito meses decidi abrir um site chamado Guru da Cidade. Escolhi esse nome, porque tenho grande afinidade com os conceitos budistas e gostaria que o site fosse tal qual um guru, uma guia de coisas positivas para as pessoas.

Duas semanas depois de lançar o  site, eis que me surge um guru indiano de verdade. Vou contar como aconteceu. Victor Cabral, um amigo jornalista, me mandou uma mensagem dizendo que um jornalista indiano, conhecido de uma amiga dele que mora em Brasília, estava em Chapada dos Guimarães a caminho de Cuiabá. Ele me pediu ajuda no inglês e sugeriu que eu fizesse uma matéria contando a história do indiano, que estava viajando o mundo num ano sabático, plantando árvores em cada cidade que passava para conscientizar as pessoas sobre a preservação ambiental.

Vishnu contando as suas histórias de vida ao redor do mundo

Quando entrei em contato com o indiano, de nome Vishnudas Chapke, descubro que ele não tinha para onde ir nem onde passar a noite em Cuiabá. Fiquei com um pouco de receio no início, mas como disse minha mãe: “Se não ajudarmos um homem que planta árvores pelo mundo, vamos ajudar a quem?”. Então, falei pra ele que iria buscá-lo na rodoviária e que poderia se hospedar na minha casa.

O encontro com Vishnu, seu apelido, logo na rodoviária foi muito natural. Durante o trajeto até um restaurante, onde encontraríamos o meu noivo João Paulo  para jantar, conversamos sobre coisas diversas da vida. Neste momento, descobri que ele era mesmo um guru e que podia me ensinar algumas lições. Meu maior estranhamento era sobre a capacidade dele de viver um dia após o outro, sem saber o que iria acontecer, sem fazer nenhum plano, uma vez que sou do tipo de pessoa que planeja tudo a todo tempo.

E ele disse: “Eu vivia uma vida estressante como todos em Mumbai, até que resolvi fazer uma meditação de 10 dias. Fiquei sem telefone, sem falar e sem interagir com nada nem ninguém. Essa experiência me transformou completamente. E daí em diante resolvi baixar todas as minhas expectativas e necessidades. Vivemos achando que precisamos de muitas coisas para ser feliz, quando na verdade precisamos de muito pouco. Atualmente, eu preciso comer, beber e de carona. Não preciso nem falar a língua do país pra conseguir isso. Portanto, se não tenho grandes expectativas, não me frustro caso as coisas não aconteçam da forma como imaginei”, ensinou.

Mariana e Vishnu plantando uma árvore no quintal da casa da Mariana

Fiquei pensando sobre isso. De que adianta fazer planos, listas e tentar controlar as coisas, quando, na verdade, as coisas vão acontecer exatamente conforme a vontade divina? Aumentar as expectativas e querer um número infinitos de coisas materiais é , sem dúvida, a fórmula certa para a tristeza e a frustração. Lição número 1 do guru Vishnu.

A lição 2 veio não diretamente de Vishnu, mas da situação como ele entrou na minha vida. Engraçado como na manhã deste dia, eu pensava que seria mais uma segunda-feira como todas as outras. Mas, tudo mudou graças a uma pequena atitude que tomei.  Um sim para a vida que me trouxe coisas maravilhosas. Quantos sim deixamos de dar e quantas oportunidade deixamos de aproveitar por medo ou por não estarmos aberto para a vida? Pense nisso!

O sim que dei a Vishnu foi um sim pra mim, um sim pra novas oportunidades, um sim para vida. Minha família e eu conhecemos um ser doce, espiritualizado e adorável neste dia. Foi um dia e meio que pareceu uma semana inteira, dada a intensidade. A impressão que tive é que fui à Índia e voltei, tamanha a troca que tivemos ao longo dessas horas. Quantas diferenças tínhamos, mas também quantas semelhanças.

Vishnu com Jason, o Pug da família

Tal qual eu, Visnhu não segue uma religião. Ele disse: “Conheci muitas coisas e decidi não ficar mais preso em uma caixa. Minha ligação com o divino é eterna e constante”. E é verdade, ele meditava a todo instante e parecia estar de bem com a vida em todos os momentos.

Depois do jantar, fomos para minha casa. Minha família o acolheu de pronto. Victor, mais tarde, se juntou a nós. E mesmo sem todos falarem inglês, a conversa fluiu com as traduções e as risadas foram muitas.

Na manhã do dia seguinte, após apresentar a tapioca para ele, fomos à floricultura comprar a muda que ele plantaria em sua passagem por Cuiabá. Ele pediu para plantá-la no jardim da minha casa. Junto com meu irmão João Paulo e com o jardineiro do meu prédio, Seu Dito, fomos até o jardim plantar um pé de amora. Foi um momento de muita diversão e espiritualidade. Vai ficar guardado no coração.

Depois do almoço, fui levá-lo à rodoviária. Fiquei sem saber como confortá-lo no caminho, pois ele estava visivelmente abalado com a partida. Dizia que neste um ano que estava longe de casa, foi a segunda vez que se sentira acolhido. Afetuou-se especialmente com minha mãe, Jô, pois disse que sentiu o carinho dela tal qual sentia com a mãe dele.

Logo após deixá-lo na rodoviária, nos despedimos com um longo abraço. Parecia que nos conhecíamos há anos. E quando entrei no carro e parti, senti um vazio no coração. Uma saudade apertada como quem perde um ente querido. Trocamos contato e prometi a ele que nos encontraríamos em Mumbai um dia.

O guru seguiu seu caminho e eu continuei o meu. Mas, agora, ainda mais certa de que os gurus farão parte da minha vida para sempre.


Veja o texto que Vishnudas Chapke escreveu sobre o motivo pelo qual resolveu plantar árvores pelo mundo.

Vinte anos atrás, quando eu era criança, costumávamos beber água dos rios e poços na Índia. Acredito que no Brasil deveria ser da mesmo forma.  Mas, agora, durante minha peregrinação pelo mundo, não vejo ninguém se atrever a beber desta mesma água, uma vez que os rios estão todos poluídos. Quem será o culpado por isso?  Acho que o culpado está muito próximo, ao nosso redor, basta ir até o espelho para encontrá-lo.

Dez anos atrás, você imaginava que a água poderia ser vendida no supermercado? Em apenas um período de dez anos, a água tornou-se mercadoria comercial e vendida no mercado. Na mesma velocidade, imagino que isso deverá ocorrer com o oxigênio. Dentro de 10 ou 20 anos, os empresários vão estar vendendo oxigênio  engarrafado. Imagine o meu e  os seus filhos esperando em uma longa fila de supermercado para comprar garrafas de oxigênio.

Este problema não está limitado para Cuiabá, para o Mato Grosso, para o Brasil ou para a América Latina. Este é o problema da Terra como um todo. Pegamos emprestado esta terra de nossos filhos e bisnetos. Nós somos depositários desta terra por enquanto. No dia do juízo (hora da morte), teremos que entregar esta terra aos nossos filhos. Cada um tem que decidir como a entregaremos –  poluída ou saudável? Eu só desejo, que meus filhos não me amaldiçoem depois da minha morte por minha ação de poluir a terra.  

Embora este seja um problema universal, podemos encontrar soluções domésticas que são muito simples. Por exemplo: Se você precisa de um quarto para viver, então para que construir mais de um? Se você precisar de dois vestidos, compre apenas dois. Ao comprar coisas extras indefinidamente, você estará explorando os recursos disponíveis da Terra. Você está fazendo provisão de casa, carro e dinheiro para seu filho?

Faça provisão de oxigênio também! Basta plantar uma árvore para que seu filho obtenha oxigênio no futuro. Caso contrário, nossos filhos poderão morrer na longa fila de supermercado, enquanto compram garrafas de oxigênio. Ao fazer cada coisa, pense da terra que deixaremos para  nossas crianças.

Se você quiser acompanhar as aventuras desse indiano pelo mundo, siga-o no instagram (@rtw_with_vishnuchapke) ou no facebook (Vishnudas Chapke).


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