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Rua dos pregões: conheça um pouco das histórias dessa famosa rua cuiabana

Rua dos Pregões, no bairro Alvorada

Por Guru da Cidade

A Rua Poxoréu, no bairro Alvorada, em Cuiabá é um lugar de muitas histórias. Mais conhecida como Rua dos Pregões, a via tem 23 pregões em funcionamento (sim, a nossa equipe contou) que vendem muito mais do que objetos, mas sonhos e até o começo de uma nova vida. Apesar da queda nas vendas por causa dos grupos em redes sociais, esses comerciantes persistem no setor e afirmam que quem procura móveis usados não perde a viagem ao ir ao local.

Rua dos Pregões, no bairro Alvorada
Rua dos Pregões, no bairro Alvorada

Se precisar de fogão, geladeira, cama, guarda-roupa, mesa, sofá, ventilador… na Rua Poxoréu tem. E o preço também é animador. A propaganda são os móveis nas calçadas, sendo exibidos aos potenciais compradores, que muitas vezes param o carro só para perguntar o valor de uma determinada peça.

Quando questionados pela nossa equipe sobre os objetos que mais vendem, alguns donos de pregões foram categóricos: fogão, geladeira e botijão de gás, ou seja, eletrodomésticos básicos para equipar uma casa. Depois desses itens, os mais vendidos são cama (de casal) e ventilador para enfrentar os dias quentes na Capital.

Rua dos Pregões, no bairro Alvorada
Rua dos Pregões, no bairro Alvorada

Para efetuar as vendas a receita inclui paciência, cuidado com as peças e simpatia. Depois de trabalhar por alguns anos como funcionária em um pregão, Lidiane Azevedo Araújo decidiu abrir o próprio negócio, que é sua principal fonte de renda há 12 anos. “Eu gosto muito de trabalhar com pregão, a gente conhece as histórias das pessoas, aconselha, ajuda a começar a vida. Já foi muito melhor, hoje não aconselho a entrar no ramo, porque as pessoas preferem vender pela internet do que para o pregão e sem tanta mercadoria, não tem como vender tanto”.

No trabalho ela já ouviu histórias de mulher que pegou o marido com outra na cama e “esfaqueou” todos os móveis, casos de traição diversos e até filhos que se desfazem de móveis antigos com a morte dos pais. Ela também conhece os perigos da profissão, responder por receptação de produtos roubados. “Eu tenho sorte de não ter processo por receptação, mas muitos aqui na rua têm. Como vamos desconfiar que o produto é roubado se já tivemos caso de ir na casa da pessoa, com chave na porta, fotos na prateleira e no final era golpe, a pessoa vendeu móveis que não eram dela”.

Rua dos Pregões, no bairro Alvorada
Lidiane já foi funcionária de pregão, agora tem seu próprio estabelecimento

Outro que também coleciona histórias de vida no pregão é o alta-florestense Ailton Neves da Silva, que veio da cidade natal para Cuiabá há 12 anos e decidiu investir no setor. “Até 2014 era muito bom, se vendia bastante aqui. De lá para cá vamos vendendo pouco, o suficiente para pagar as contas. Os clientes olham, pesquisam e levam alguma coisa, mas nem se compara ao que era antes”, lamenta o comerciante.

Rua dos Pregões no bairro Alvorada
Ailton Neves da Silva trabalha há 12 anos no ramo