Dia do Orgulho Gay celebra respeito e superação

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Em vários momentos da vida, cada um de nós tem em comum o medo. Na infância é ficar longe dos pais, na adolescência de não ser aceito, na vida adulta de não conseguir ser independente ou de nunca encontrar o amor da vida enquanto o tempo passa.

Além de todos os medos naturais, ter que conviver com o de não ser aceito dentro da própria família e também pela sociedade, em razão da orientação sexual, é a realidade de muitos gays. Nesta quarta-feira (28/06), Dia do Orgulho Gay, o Guru da Cidade vai contar a história de duas pessoas que, entre os desafios e a alegria, venceram as barreiras pessoais para conquistar desejos que também são comuns: a felicidade e o respeito.

O receio de machucar os pais e a reação da sociedade eram os principais medos da então adolescente Lindsey Bueno para assumir a orientação sexual. “Mas quando está claro dentro de você, que é uma questão de autoconhecimento, isso passa a ser tranquilo. Na família, a aceitação foi complicada no começo, mas depois encontrei só respeito. Meus pais perceberam que a felicidade está atrelada a tantas outras coisas e isso (orientação sexual) fica pequeno. Hoje meus pais são orgulhosos por quem sou”, conta.

Já no meio corporativo, Lindsey afirma que nunca negou sua orientação, mas foi um pouco mais difícil falar abertamente sobre a vida pessoal. Após superar isso, também encontrou respeito. “Trabalhei por nove anos em uma empresa em Cuiabá e, em todo esse tempo, eles não quiseram saber se eu era gay. O interesse era na profissional que me tornei e isso é respeito”, diz ela, que hoje é a gestora de Felicidade da Quero Educação, startup em São José dos Campos (SP).

Ao longo de seus 35 anos, ela também enfrentou o preconceito e garante: nenhuma das situações que já viveu a afetou profundamente. O maior desafio, diz, foi se descobrir, aceitar, valorizar e nutrir amor próprio. “É óbvio que nenhum LGBT passa na vida sem algum tipo de preconceito. Mas hoje o mais importante é que sou uma pessoa feliz e faço de tudo pra fazer as outras felizes. Mais do que nunca, consigo fazer isso no trabalho e me realizo assim”.

Outro motivo de tanta felicidade tem um nome: o amor da vida. Noiva há quase um ano, Lindsey vive com a companheira. “Ela fortalece o meu eu e complementa a minha vida todos os dias. Era o que faltava para eu ser plena, que envolve estar próxima a minha família e a trabalhar com gente. Entre as vantagens de ter uma namorada, minhas amigas dizem que é receber flores e mais flores”, ri.

Da infância dolorosa à aceitação da mãe

Claudemir
Claudemir de Lima

A descoberta da homossexualidade ocorreu aos 6 anos de idade para Claudemir de Lima. Na escola, nunca sentiu nada pelas meninas e, embora não soubesse definir sua orientação sexual, sabia bem o que queria. Na escola ele podia ser quem de fato era. A certeza, porém, não fez da infância uma fase feliz, ao contrário. “Sofri muito com isso, pois tinha medo de falar para minha família e ser expulso de casa. Minha infância foi muito dolorosa, por isso só consegui contar para minha mãe aos 18 anos,”, revela.

Criado na pequena Arenápolis (MT), que tem pouco menos que 10 mil habitantes, Claudemir conta que foi discriminado pela mãe por muito tempo. “Minha família é bem religiosa, da Congregação Cristã do Brasil, e meu padrasto não me aceitava. Por isso, minha mãe dizia que não iria separar dele por causa de mim e eu seria expulso de casa se fosse gay”, diz.

Quando decidiu contar, pressionado pela tia que já sabia, ele não morava mais com a mãe. “Fui contar chorando e com medo, mas foi a melhor coisa que aconteceu. Depois de disso, começou a melhor fase da relação com a minha mãe. O restante da minha família só soube um ano depois, mas, até hoje, alguns deles não falam comigo”.

Claudemir
Claudemir de Lima

Aos 22 anos, Claudemir conta que, apesar da relação da mãe ter melhorado, outro desafio foi levar o namorado para conhecê-la. “Ela o recebeu muito bem, para minha surpresa, pois, antes, falava que nunca ia aceitar caso eu aparecesse com macho em casa e, ainda, colocaria nós dois para fora. Isso me magoava e doía muito, porque não queria deixar de viver minha vida pelo preconceito dela. Hoje, até meu padrasto conversa com meu namorado. Nunca esperava isso”.

Para Claudemir é um orgulho ser gay e, mais que isso, também ser honesto e trabalhador. “Minha família me aceitou e é isso que importa. Vivemos num mundo cheio de preconceito, em que as pessoas esquecem dos seus erros e apontam os dos outros. Chamam o outro de ‘viadinho’ e esquecem que têm filho. Devemos contribuir para deixar o mundo melhor para todos e não pior”, declara.

O que a Lindsey e o Claudemir querem, assim como qualquer pessoa, é respeito por suas escolhas, sejam lá quais forem elas. Afinal, cada pessoa é um universo e, dentro dele, cada um pode ser o que quiser.

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